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30
Ago

Especialista em inteligência artificial imagina o mundo de 2050


Por Co_labore

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Em 2050, cada ser humano será o centro de um mundo assistido pela inteligência artificial (IA). Os assistentes digitais regularão desde o conteúdo da geladeira até a temperatura da sala. A televisão difundirá imagens do seu programa favorito assim que você entrar no quarto. O automóvel não terá motorista, e seu barman provavelmente será um androide.

Quem faz previsões como essas é Antoine Blondeau, que contribuiu para a tecnologia que levou ao desenvolvimento da Siri, a assistente de voz da Apple, e cofundador da Sentient Technologies, plataforma especializada em IA.

– Dentro de 30 anos, o mundo será muito diferente – diz o francês de 48 anos, que vive entre a Califórnia e Hong Kong. – Tudo estará desenhado para satisfazer suas necessidades pessoais.

 

O trabalho como o conhecemos ficará obsoleto, segundo Blondeau. Os avanços sensoriais e visuais na robótica terão permitido a criação de fábricas inteligentes capazes de tomar decisões em tempo real. Não haverá operários, só supervisores. As profissões jurídicas, o jornalismo, a contabilidade e o comércio varejista serão racionalizados: a IA se encarregará da parte ingrata do trabalho.

O setor de saúde também se transformará. Os pacientes vão dispor de todo seu histórico clínico, e a IA será capaz de emitir diagnósticos.

– A consulta com o médico será mais pela tranquilidade de poder falar com um ser humano ou porque o humano é quem estará habilitado a prescrever medicamentos. Mas não será necessário um médico para indicar o que está errado na sua saúde – afirma Blondeau.

Há empresas pioneiras: a assistente virtual Alexa, da Amazon, e o Google Home são mordomos digitais que podem pedir uma pizza ou comandar eletrodomésticos. A Samsung está desenvolvendo geladeiras inteligentes capazes de encomendar as compras. Jornalistas-robôs (algoritmos programados para transformar dados em textos) já redigem artigos simples nos âmbitos econômico e esportivo.

Junto com a Instituto de Tecnologia de Massachusetts, a Sentient desenvolveu uma “enfermeira IA”, capaz de avaliar os exames relativos à pressão arterial de milhares de pacientes e identificar, em 90% dos casos, as pessoas que estão desenvolvendo uma sepse (afecção potencialmente mortal) 30 minutos antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

– É uma janela crucial que oferece aos médicos um prazo adicional capaz de salvar vidas – aponta Blondeau.

A perspectiva de um desemprego em massa provocado por uma generalização da IA parece aterrorizante, mas Antoine Blondeau é pragmático: é necessário encarar a educação e a carreira de outra forma.

– As pessoas deverão se renovar e adquirir novas competências para acompanhar a evolução tecnológica.